Empresa Familiar  

     
 
 

Prefácio

Na qualidade de presidente da Florida Christian University e, como empreendedor que sou, tenho visto muitas pessoas enveredarem pelo caminho do empreendedorismo. É muito interessante as direções, os sonhos, as perspectivas, os alvos e as atitudes de cada pessoa. Agrada-me saber que André Gomyde Porto tem caminhado nesta direção e oferece ao público como fruto de sua reflexão, nesta área de empreendedorismo e empresas familiares este inteligente, prático, útil e oportuno livro que chega às mãos dos empreendedores brasileiros.

Sou testemunha ocular de que este livro não é fruto de teorias não-testadas de intelectuais que se debruçam em seu saber e impõem as suas idéias não-funcionais, meramente idealistas, aos seus leitores, como se fossem donos da verdade. Sei que o conteúdo aqui esboçado está associado ao André Gomyde Porto que conheci dentro e fora da sala de aula.

 
 

O ser humano envolvido com a temática do empreendedorismo desde cedo no palco íntimo  do seu próprio lar aos pés dos professores Antonio Fernando Doria Porto e Ana Amélia Barreto Gomyde, quando já recebia e tecia as lições administrativas e empresariais preciosas destes seus genitores.

O André que conheci é um ser empreendedor, sempre em busca do que é essencial. Saiu do Brasil, veio aos Estados Unidos com muito esforço, garra e luta em busca de um aperfeiçoamento acadêmico e profissional para fazer o seu MBA - Master in Business Administration. Sacrificou coisas efêmeras para alcançar o que era prioritário, pois tinha metas e alvos a alcançar.

Ele sempre foi firme, focado, determinado e persistente em sua caminhada. Tem logrado êxitos, sucessos, aquisições e oportunidades, mas não tem se detido diante das conquistas. Antes, é alguém em constante processo de busca, empreendedorismo e aperfeiçoamento do processo no qual se encontra inserido. É este André que nos brinda com uma obra pertinente a este momento empresarial que o país vivencia.

O Brasil tem um montante aproximado de 5 milhões de empresas formais. Dentre este número, as  empresas familiares constituem um percentual aproximado de 85%. Com raríssimas exceções estas empresas foram criadas pelo espírito empreendedor de seus fundadores, carecendo de ferramentas administrativas que garantam a sustentabilidade das mesmas e a sua continuidade no mercado, bem como o desenvolvimento e crescimento delas. Não foram poucas as empresas familiares que abriram falência diante dos olhos da sociedade brasileira. Inúmeras de pequeno porte, outras de médio porte e  algumas de grande porte em caráter estadual, regional e/ou nacional. Não desejo elencá-las aqui, mas nenhum cidadão brasileiro nas últimas quatro décadas está esquecido de algum nome de empresa familiar que ruiu com grande estrondo no mercado por lhe faltarem estas ferramentas administrativas, dando lugar para conflitos familiares e inabilidade para lidar com a continuidade da empresa. Lembro-me de um ilustre e grande banqueiro que dava uma mesada de 5 mil dólares aos seus filhos para que eles se mantivessem longe dos negócios e não atrapalhassem o futuro do grupo empresarial. Por outro lado, são milhares de pequenas emprenas que carecem de apoio, orientação e ferramentas administrativas para continuarem existindo, subsistindo e almejarem o desenvolvimento e o crescimento esperado, mas que seus fundadores empreendedores chegaram até o seu próprio limite máximo e não conseguem prosseguir sem esta ajuda externa.

Toda esta conjuntura supracitada está documentada pela história empresarial brasileira em seus anais e pelos atos governamentais que deral origem a órgãos semelhantes ao SEBRAE - Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas. O Sebrae é uma entidade privada sem fins lucrativos que tem como missão promover a competitividade e o desenvolvimento sustentável dos empreendimentos de micro e pequeno porte. A instituição foi criada em 1972, como resultado de iniciativas pioneiras que tinham como foco estimular o empreendedorismo no país. O SEBRAE atua  por delegação e em colaboração com a administração pública federal, de acordo com as políticas nacionais de desenvolvimento. A instituição recebe recursos arrecadados da sociedade produtiva, que são utilizados para fomentar a atividade econômica dos pequenos negócios por meio da capacitação de empreendedores. O objetivo é aumentar a qualidade e a produtividade dos negócios, tornando-os competitivos e, dessa forma, contribuir para o progresso e a melhoria de vida dos brasileiros. Toda esta empreitada governamental respalda o valor e importância deste livro.

Realmente, este livro tem o seu espaço peculiar, pois as empresas familiares têm necessidade de literatura como esta que numa linguagem acessível através de um diálogo entre um consultor e um empreendedor desarma, denuncia, instrui e forma uma nova geração de empreendedores, garantindo-lhe a sustentabilidade e continuidade empresarial da família. Muitas vezes o choque de geração, de culturas e de autoridade patriarcal inibem o processo de sucessão empresarial na família, geram o clima desfavorável e a dilapidação patrimonial e da própria família, conseqüentemente.

Elementar seria dizer que esta obra literária tem um valor memorável. Entretanto, quero destacar o fato de que a mesma  não tem somente o aspecto de obra intelectual, mas acima de tudo possui o aspecto familiar, social e empresarial que objetiva o desenvolvimento do Brasil, como país de empreendedores. Por esta razão, deveria o autor já encontrar-se pensando na continuidade deste trabalho no seio da empresa familiar, expandindo os temas aqui tratados ou enfocando outras áreas necessárias.

Barateamento dos custos causados pela fraqueza da administração familiar é o que esta obra propõe o tempo todo. O autor até mesmo expressa a sua surpresa diante dos estragos provocados devidos aos conflitos familiares na empresa e do processo que levou 1 ano e meio para que os devidos ajustes fossem realizados. Os conflitos entre empresa e família – refletem na descapitalização, falta de disciplina, utilização ineficiente dos administradores não familiares e no excesso de personalização dos problemas-administrativos. Isto, sem falar no uso indevido de recursos da empresa por membros da família, na falta de sistemas de planejamento financeiro e apuração de custo e outros procedimentos. Há muita resistência em relação à modernização do Marketing e contratações e promoções de parentes por favoritismo e não por competência. Este livro é uma vacina contra tudo isto.

Lamentavelmente, muitas empresas familiares que entraram em bancarrota neste país, não tiveram acesso aos ensinamentos aqui exarados. Pois se elas tivessem tido acesso a estes ensinamentos e colocado as devidas orientações em prática, muitos males poderiam ter sido evitados e elas não teriam deixado de existir. É importante que você, leitor, compreenda a praticidade desta obra e transmita o acesso da mesma para outras pessoas.  Este livro merece ser compartilhado para todas as pessoas porque apresenta características vitais para a empresa familiar, vejamos:

  • Tem como base servir às pessoas enfocadas que por uma razão ou outra não têm acesso às cátedras universitárias;
  • Privilegia os aspectos práticos administrativos, transmitindo-os numa linguagem acessível quase leiga nos que diz respeito aos termos científicos da área, pois procura alcançar o seu objetivo real;
  • Apresenta os conteúdos mediante forma bastante objetiva, clara, simples, com exemplificação adequada, favorecendo, assim, sua plena compreensão;
  • Visa, em conseqüência,a uma finalidade eminentemente pragmática: servir de fonte de consulta, estudo ou material de treinamento, intentando ir ao encontro dos que lidam com a empresa familiar na rotina administrativa da sucessão.

            A julgar por sua especificidade, poder-se-ia concluir apressadamente que este livro coloca de forma aberta, sem arrodeios e de forma muito coesa e coerente acerca do que todas as empresas familiares devem saber sobre os caminhos para a sucessão, oferecendo os recursos necessários não somente para a continuidade da empresa, como também a solução para diversos problemas que envolvem as partes em apreço.
          Ademais, é necessário destacar que o autor teve em consideração o seu leitor. Para Charles E. Redfield, “aquele a quem se fala é, muitas vezes, tão importante quanto aquilo que se diz, já que a pergunta a quem determinará, em grande parte, como deve ser feita a comunicação”. O emprego de tratamento respeitoso às pessoas envolvidas na trama, o conhecimento de certos problemas de empresa familiar, o propósito de criar, manter ou recobrar uma disposição favorável a quem se coloca em lugar do empreendedor Sr. Rubens, é plenamente favorável, didático e envolvente, quabrando barreiras naturais que surgem no processo de quem instui e quem é instruído. São aspectos que se situam no âmbito da adequação da linguagem, estratégia que o autor utiliza para ajustar seu texto ao leitor. Destarte a intencionalidade e a informalidade do diálogo atingem o objetivo comum: comunicar com precisão as ferramentas administrativas que facilitam o caminho para a sucessão no âmbito da empresa familiar.

Anthony Portigliatti, PhD
President e Chancellor of
Florida Christian University
Orlando, FL - USA